2:03:00 PM

Se os tubarões fossem homens

Postado por William Gutierrez |



Se os tubarões fossem homens, eles fariam construir resistentes caixas do mar, para os peixes pequenos com todos os tipos de alimentos dentro, tanto vegetais, quanto animais.

Eles cuidariam para que as caixas tivessem água sempre renovada e adotariam todas as providências sanitárias, cabíveis se por exemplo um peixinho ferisse a barbatana, imediatamente ele faria uma atadura a fim que não morressem antes do tempo.

Para que os peixinhos não ficassem tristonhos, eles dariam cá e lá uma festa aquática, pois os peixes alegres tem gosto melhor que os tristonhos.

Naturalmente também haveria escolas nas grandes caixas, nessas aulas os peixinhos aprenderiam como nadar para a guela dos tubarões.

Eles aprenderiam, por exemplo a usar a geografia, a fim de encontrar os grandes tubarões, deitados preguiçosamente por aí. aula principal seria naturalmente a formação moral dos peixinhos.

Eles seriam ensinados de que o ato mais grandioso e mais belo é o sacrifício alegre de um peixinho, e que todos eles deveriam acreditar nos tubarões, sobretudo quando esses dizem que velam pelo belo futuro dos peixinhos.

Se encucaria nos peixinhos que esse futuro só estaria garantido se aprendessem a obediência.

Antes de tudo os peixinhos deveriam guardar-se antes de qualquer inclinação baixa, materialista, egoísta e marxista e denunciaria imediatamente aos tubarões se qualquer deles manifestasse essas inclinações.

Se os tubarões fossem homens, eles naturalmente fariam guerra entre sí a fim de conquistar caixas de peixes e peixinhos estrangeiros.

As guerras seriam conduzidas pelos seus próprios peixinhos. Eles ensinariam os peixinhos que entre eles os peixinhos de outros tubarões existem gigantescas diferenças, eles anunciariam que os peixinhos são reconhecidamente mudos e calam nas mais diferentes línguas, sendo assim impossível que entendam um ao outro.

Cada peixinho que na guerra matasse alguns peixinhos inimigos, da outra língua silenciosos, seria condecorado com uma pequena ordem das algas e receberia o título de herói.

Se os tubarões fossem homens, haveria entre eles naturalmente também uma arte, havia belos quadros, nos quais os dentes dos tubarões seriam pintados em vistosas cores e suas guelas seriam representadas como inocentes parques de recreio, nos quais se poderia brincar magnificamente.

Os teatros do fundo do mar mostrariam como os valorosos peixinhos nadam entusiasmados para as guelas dos tubarões.

A música seria tão bela, tão bela que os peixinhos sob seus acordes, a orquestra na frente entrariam em massa para as guelas dos tubarões sonhadores e possuídos pelos mais agradáveis pensamentos .

Também haveria uma religião ali.

Se os tubarões fossem homens, ela ensinaria essa religião e só na barriga dos tubarões é que começaria verdadeiramente a vida.

Ademais, se os tubarões fossem homens, também acabaria a igualdade que hoje existe entre os peixinhos, alguns deles obteriam cargos e seriam postos acima dos outros.

Os que fossem um pouquinho maiores poderiam inclusive comer os menores, isso só seria agradável aos tubarões pois eles mesmos obteriam assim mais constantemente maiores bocados para devorar e os peixinhos maiores que deteriam os cargos valeriam pela ordem entre os peixinhos para que estes chegassem a ser, professores, oficiais, engenheiro da construção de caixas e assim por diante.

Curto e grosso, só então haveria civilização no mar, se os tubarões fossem homens.

Bertold Brecht

12:33:00 PM

Memórias do Saque: Genocídio Social na Argentina

Postado por Rafael Dahilda |

1:18:00 AM

Se os anjos falassem a lingua dos homens...

Postado por Rafael Esnarriaga |

7:42:00 AM

Os problemas da terra no Brasil

Postado por Rafael Dahilda |

O Coordenador do NEILS (Núcleo de Estudos de Ideologias e Lutas Sociais) da PUC/SP, Lucio Flavio Rodrigues de Almeida, apresenta uma série de argumentos sobre o tema da terra no Brasil que desequilibraram claramente o debate. O programa (Entre Aspas de 08/10/2009 - Globonews) foi encerrado ridiculamente, mas, ainda assim, é bastante válido assistir.

4:54:00 PM

Moralização do Capitalismo

Postado por Rafael Dahilda |

A saída é política, senhor Sarkozy


FILOSOFIA André Comte-Sponville não vê sentido na moralização do capitalismo

A DIEGO VIANA E GABRIELA LONGMAN, DE PARIS

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, clama por uma “moralização do capitalismo”depois da eclosão da crise financeira mundial. Mas seu compatriota, AndréComte-Sponville, acha que a reivindicação beira o ridículo. Em 2005, a França e oBrasil (Martins Fontes) publicaram o livro do filósofo francês intitulado OCapitalismo É Moral? O ensaio recupera conceitos de Adam Smith e Montaigne paraargumentar que não há nada de moral na economia, nem de imoral. A moralidade, por si,não poderia controlar as relações de mercado, nem entre patrões e empregados, nementre consumidores e vendedores. O livro, reeditado com muito sucesso na Françaem2009, sustenta que a economia não é o campo adequado para a moralização.Nesta entrevista à Carta Capital, Comtte-Sponville interpreta a crise financeira comoo esgotamento do ultraliberalismo e aponta a urgência de, neste cenário, resgata apolítica. Ele diz que o mercado produz riqueza, mas só o Estado, entidadeeminentemente política, produz justiça. A moral só age na sociedade por meio de leisque bloqueiem os piores impulsos do capitalismo: monopólios, exploração do trabalho,especulação. Definindo-se como social-democrata e realista, o filósofo crê que umapolítica de sucesso deve contentar-se em administrar as diferenças, ou seja, emevitar os males maiores.Comte-Sponville é otimista sobre o futuro. Vislumbra o nascimento de uma “civilizaçãomundial” e a superação dos principais conflitos contemporâneos. Para isso, ele crê ,ahumanidade precisará abandonar a fé em valores absolutos, em nome da política e damoral.


Carta Capital: Faz sentido moralizar o capitalismo?

André Comte-Sponville: O que entendemos por “moralizar” o capitalismo? É torná-lointrinsecamente moral, movido não pelo interesse, mas pela generosidade? Isto é purailusão. Já fixar limites externos, políticos e jurídicos para combater defeitosmorais não só é Possível e necessário, algo que se faz há 200 anos. Quando proibimoso trabalho infantil, garantimos as liberdades sindicais ou impedimos abusos deposição dominante, moralizamos o capitalismo. Sarkozy produz bravatas. Asocial-democracia nada mais é senão aceitar a economia de mercado – a mais eficaz –com limites externos.


CC: Os últimos vinte anos rejeitaram esse pensamento.

ACS: E, no entanto, a edição atual do meu livro é mais lida que a original. Oseconomistas dizem se tratar de um livro premonitório. Não fiz previsões. A vantagemdo filósofo sobre o economista é não precisar delas. O que a crise confirmou foi aamoralidade, não a imoralidade, do capitalismo. Depois, a incapacidade do mercado dese regular de modo social e moralmente aceitável. A crise é uma autorregulação comresultados deploráveis. E a moral tampouco é capaz de regular a economia. Secontássemos com a moral dos financistas para organizar a sociedade, ainda estaríamosno tempo do (escritor do século XIX Émile) Zola. Se o mercado é incapaz de se regulare a moral incapaz de regular o mercado, o que resta? Só a lei e a política. A criseconfirma que os ultraliberais estavam errados. Num pais em que o Estado não tomaconta nenhuma da economia, o pleno emprego está garantindo apenas para os sobreviventes.


CC: A condenação do especulador Bernard Madoff foi recebida como um triunfomoral.

ACS: Foi, mas a moral não é para julgar os outros, só legítima na primeira pessoa.Para os outros, a lei basta. Madoff foi condenado. Eu me felicito como cidadão. Masnão tenho condição de julgá-lo Só Deus, se existisse, estaria capacitado para isso.Madoff é um canalha ou um bom sujeito? Provavelmente, ambos. A moral é julgar a simesmo e já dá um trabalho enorme. Juridicamente, ele tinha de ser punido. É precisonão confundir política com moral. Um exemplo: eu soube da falência do Lehman Brotherspelo rádio. O secretário do Tesouro americano recusou-se salvar o banco e elequebrou. Minha primeira reação foi dizer: “Bem feito! Vão pagar!” Hoje, oseconomistas concordam que não salvar o banco foi o erro o século. Henry Paulson deveter tido razões morais para se reusar, pensando: “Safados! Especularamvergonhosamente, agora quebrem!” Talvez por ótimas razões morais, tomou uma péssimadecisão política, social e econômica.


CC: Se grupos transnacionais forem mais fortes que os Estados, sobra lugarpara moral e política

ACS: É preciso que os Estados impeçam os monopólios e eles têm as ferramentas paraisso, ao mesmo nos países ricos. Nenhuma empresa é mais forte que um Estadodesenvolvido. Se o povo americano quiser nacionalizar a Microsoft, pode. A Françaquis nacionalizar os bancos, a esquerda assumiu o poder e o fez. Mas logo vimos queeles funcionaram pior. Para criar riqueza, o mercado é mais eficiente. A dificuldadepara o Estado é cumprir o seu papel. Ele deve garantir, não gerir a economia. Aesquerda já renunciou à nacionalização. Entendeu que o Estado não é bom para gerarriqueza. Agora, a direita precisa entender que o mercado não serve para criarjustiça. Precisamos do mercado para o que está à venda, e do Estado para o que nãoestá.


CC: A publicidade, ao usar a idéia utilitarista da busca pela felicidade,seria uma resposta econômica à questão moral?

ACS: Sim, uma falsa resposta. A publicidade mente, pois nos diz que seremos maisfelizes com tal produto que sem ele. Meus filhos compraram cinco celulares nosúltimos anos e não são mais felizes por isso. A publicidade também é movida anovidade, como se ela significasse tudo na vida.


CC: E isso acontece também na arte...

ACS: Toda época tem a arte que merece. A nossa é a do mercado triunfante e dapublicidade. Ambos se fundam sobre o novo. Na arte, a única forma de produzir o novoé ser radical. O fim do processo é fazer obras sem sentido. A busca louca pelo novona arte é uma contaminação da lógica do capitalismo e da publicidade.


CC: Se a publicidade responde à moral, parece difícil criar algo à parte.

ACS: Claro. Por isso educamos as crianças. Se o capitalismo fosse moral, apublicidade também seria. Não precisaríamos educar as crianças. Bastaria colocá-lasdiante da tevê. Mas é bem o contrário. Temos de arrancá-las de lá para lhes ensinarqualquer coisa. Não sou “publífobo”. A publicidade tem sua importância econômica. Masum adolescente, hoje, pensa que a felicidade depende do que possui. É a mentirapublicitária, amar a novidade, ser in, Mas o essencial está no longo prazo. Vale maisler Aristóteles e Montaigne que revistas da semana passada. Tudo nelas está defasado,mas o essencial dos filósofos segue vivo. Prefiro uma velha verdade a uma novamentira.


CC: O senhor disse que não quer mais falar de moral. Qual vai ser o seupróximo tema?

ACS: Vou me dedicar à reabilitação da política. Estávamos errados, nos anos 60 e 70,de achar que ela podia tomar o lugar da moral e estamos errados hoje de achar que amoral pode tomar o lugar dela.“Os americanos usaram preceitos morais para não salvar o Lehman Brothers. Mas estefoi o erro do século”


Entrevista de Carta Capital - Out 2009

6:06:00 PM

As respostas estão aí, dentro de vc

Postado por Rafael Esnarriaga |

7:03:00 PM

Reflexões sobre o fim da vida

Postado por Rafael Dahilda |

[...] Que recordações! Lembro-me, por exemplo, de que neste local, há justamente um ano, precisamente a esta hora, neste mesmo passeio, vagueei tão solitário e tão sombrio como hoje! E repare que nessa altura também os pensamentos eram tristes; ainda que não fosse mais feliz, sentia, apesar de tudo, que a vida era mais fácil e tranqüila, não existindo nela esta idéia negra que agora a mim se apegou; nada desses problemas de consciência,sombrios e severos remorsos, que nem de dia nem de noite me deixam descansado. E uma pessoa interroga-se: mas então onde estão os teus sonhos? E sacode a cabeça, dizendo: como os anos passam depressa!... E novamente nos interrogamos: mas o que fizeste tu dos teus anos? Onde foste enterrar o teu tempo mais precioso? Viveste verdadeiramente? Sim ou não? Repara, dizemos para nós mesmos, repara como o mundo arrefeceu. Passarão ainda mais anos e, após eles, virá a triste solidão, virá com a sua bengala a vacilante velhice e, após eles, o tédio e o desespero. O teu mundo fantástico empalidecerá; os teus sonhos morrerão, fenecerão, cairão como as folhas mortas caem das árvores... Oh, Nastenka, como será triste ficar só, completamente só, e não ter absolutamente nada a lamentar, nada de nada..., pois tudo o que se perdeu, tudo isso junto, não significa nada, é um zero estúpido e perfeito, tudo não terá passado de um sonho! [...]


Trecho de Noites Brancas - Dostoievski

11:39:00 AM

Sorte - Match Point (Woody Allen)

Postado por Rafael Dahilda |




"The man who said "I'd rather be lucky than good" saw deeply into life. People are afraid to face how great a part of life is dependent on luck. It's scary to think so much is out of one's control. There are moments in a match when the ball hits the top of the net, and for a split second, it can either go forward or fall back. With a little luck, it goes forward, and you win. Or maybe it doesn't, and you lose."

10:12:00 AM

O que é igualdade?

Postado por Rafael Esnarriaga |

na década de 40 um inglês ae, tal de Orwell

escreveu uma metáfora chamada Revolução dos Bichos,

lá um dos personagens, um porco, dizia,

"todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que outros"


11:56:00 AM

As polêmicas de Richard Dawkins

Postado por Rafael Dahilda |

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